Noto como você me teme
Quando não estou
Aqui nem lá, suspensa
No tempo, presa aos recônditos
Da minha mente — confinada
Minha alma é toda poesia e
Isso, sei, te assusta
Quando me faz propensa
A divagar, amor, a lamentar,
Me derramar sobre a
Implacável dissonância
Desse labiríntico estado
De ser
Mas não há o que temer
Pois o vazio que por vezes abrigo
Destina-se a ser preenchido pelo toque
Da sua pele; um traço, uma essência
Do mundo que possa
Reacender em mim
Esse desejo, essa fome,
Esse ardor que — vez
Após vez — temos buscado
A faísca
Que se pode atenuar, mas nunca
Desvanecer
A vida que se descobre
Dentro da própria vida.


SOFIA LOPES é escritora, tradutora e pesquisadora. Por formação, é bacharela em Língua Inglesa e Respectiva Literatura e mestra em Literatura pela Universidade de Brasília (UnB). Sua escrita é focada em contos, poemas e obras interativas, e suas publicações incluem dois livros, intitulados ‘Galatea’ e ‘Carbon Made’, além de jogos de ficção interativa e múltiplos textos publicados em antologias brasileiras e internacionais.

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